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João Lourenço

João Lourenço (1944) foi ator de teatro e cinema e fotógrafo de cena. Atualmente é encenador, diretor artístico e programador artístico do Teatro Aberto, Lisboa.

Em 1952, estreou-se na Rádio (Emissora Nacional) como intérprete. É um dos seus pioneiros da Televisão em Portugal‚ tendo durante anos participado em inúmeras peças e folhetins.

Em 1957, estreou-se, como ator, no Teatro Nacional D. Maria II, na peça D. Inez de Portugal, de Alexandre Casona, sendo ensaiado por Robles Monteiro. No ano seguinte, interpretou o protagonista do primeiro folhetim, Enquanto os Dias Passam, de Armando Vieira Pinto e realizado por Fernando Frazão. Foi produzido pela RTP e transmitido em direto.

Em 1959, ingressa no Teatro Nacional Popular (T.N.P.) no Trindade, companhia dirigida por Francisco Ribeiro.
Entre 1962 e 1963 trabalhou com a atriz brasileira Eva Todor e o dramaturgo Luiz Iglésias, no Teatro Variedades e numa vasta tournée pelo país.

Em 1963, estreia-se em cinema, na curta-metragem A Ribeira da Saudade, de João Mendes.
Colaborou pela primeira vez, em 1965, num espetáculo musical, o Paris Hotel de Georges Feydeau, no Teatro Monumental.

Em 1966, desloca-se ao Brasil com uma companhia de Vasco Morgado, atuando no Teatro Ginástico do Rio de Janeiro, onde toma contacto com o teatro brasileiro Arena-Oficina-Opinião.
Encontra outros atores também interessados em fugir ao teatro estabelecido, estatal ou empresarial. Assim, funda com Irene Cruz, Morais e Castro e Rui Mendes, uma sociedade de atores denominada “Grupo 4”. A sociedade era completamente independente dos circuitos comerciais, sem nenhum subsídio do Estado, atuando quase sempre no cinema Tivoli, sociedade essa que foi a vanguarda dos chamados “Grupos Independentes”.
O “Grupo 4” estreia o seu primeiro espetáculo, Knack, de Ann Jellicoe, no cinema Tivoli em 1967. A partir desse ano e com o “Grupo 4” interpreta e produz, entre outras, textos de: James Saunders; Eduardo Manet; Tankred Dorst; Slawomir Mrozek; Peter Handke; Xavier Pommeret e Peter Weiss.

Em 1970, ingressa como artista convidado no Teatro São Luiz numa nova companhia dirigida por Luiz Francisco Rebello.Em 1971, aceita um convite da Televisão brasileira para trabalhar durante 6 meses na «T.V. Rekord-canal 7» de S. Paulo na telenovela Os Deuses estão Mortos, de Lauro César Moniz.

Dois anos depois, estreia-se como encenador profissional, na peça Oh Papá Pobre Papá, de Arthur Kopit na Casa da Comédia.

Em 1974, um ano de mudança para a sua vida profissional, constrói com o “Grupo 4” um novo teatro, o “Teatro Aberto”, em Lisboa. Encena O Círculo de Giz Caucasiano, de Bertolt Brecht, para a inauguração do Teatro Aberto em 1976.

Afasta-se progressivamente da profissão de ator. Durante o seu percurso na representação, interpretou personagens, de vários textos de autores portugueses, como José Régio e de autores estrangeiros, entre os quais S. Beckett, W. Gibson, Shaw, W. Shakespeare, F.G. Lorca, Steinbeck, Molière, Goldoni, Beaumarchais, Lope de Vega, Neil Simon, Bertolt Brech e Stanisław Ignacy Witkiewicz.

Em 1978, é convidado pelo teatro Berliner Ensemble, dirigido por Manfred Wekwerth, para participar no coletivo de encenação da nova versão de Mãe Coragem e os Seus Filhos, de Bertolt Brecht.
Participa no Festival de Shakespeare, em Weimar, Alemanha.

Em 1982, funda e torna-se o diretor da companhia de teatro denominada Novo Grupo, que é a atual companhia residente do Teatro Aberto. A peça Oiçam Como Eu Respiro de Dario Fo, foi encenada por João Lourenço e inicia o percurso da Novo Grupo.
Em 1984, dirige no Teatro Aberto Ubu Português, um original escrito em conjunto com José Fanha e Vera San Payo de Lemos.
Em 1986, encena a peça Mãe Coragem e os Seus Filhos de Bertolt Brecht, foi coproduzida entre a Novo Grupo e o Teatro Nacional D. Maria II.

O XII Festival de Teatro de Setúbal (1987) é dedicado a João Lourenço. Em 1988, é convidado, pelo Brecht Zentrum para participar nas comemorações do 90º aniversário do nascimento de Bertolt Brecht. A versão fílmica de Mãe Coragem e os Seus Filhos, escrita por João Lourenço, foi inserida no Festival.

A convite da Embaixada dos Estados Unidos da América e do United States Information Service, desloca-se a New York e a New Haven – Universidade de Yale, em 1989, numa viagem de estudo para melhor conhecer a realidade do teatro americano.
Em 1991 participou na qualidade de encenador no Encontro de Escritores Galegos e Portugueses, em Santiago de Compostela, Espanha.

Em 1994 Leva à cena a peça Oleanna de David Mamet, no anfiteatro da Faculdade de Letras de Lisboa. Dirige a reposição da peça Oleanna no Teatro Aberto.
Em 1995,encena no Teatro Nacional, a coprodução entre o Novo Grupo e o Teatro Nacional D. Maria II da peça O Caminho Para Meca de Athol Fugard.
Em 2004,encenou no Teatro Aberto, a peça O Bobo e a sua Mulher esta Noite na Pancomédia de Botho Strauss. Foi uma coprodução entre o Novo Grupo e o Teatro Nacional S. João.

Ao longo da sua carreira na companhia Grupo Novo encenou textos dos dramaturgos: Anton Tchekov, Georges Feydeau, Friedrich Karl Waechter, Jim Cartwright, William Shakespeare, Dorothy Lane, Kurt Weill, Bernard-Marie Koltès, Sam Shepard, Eugene O´Neill, Botho Strauss, Jean Anouilh, Werner Schwab, Conor McPherson. Tankred Dorst, David Hare, Patrick Marber, Urs Widmer, Oliver Bukowski, Eric-Emmanuel Schmitt, Neil LaBute, Henrik Ibsen, Peter Turrini, Michael Frayn, Bruce Graha, Jaime Rocha, Händl Klaus, Tom Stoppard, Dea Loher, Yasmina Reza, Kate Fodor, Sofi Oksanen, John Logan, Arthur Miller, Nick Payne, Florian Zeller, Shelagh Delaney, Frank McGuiness, Michael Healey, Caryl Churchill e Lillian Hellman.

Atualmente faz parte do júri do Grande Prémio de Teatro Português e continua na direção artística do Teatro Aberto.

Tem uma vasta carreira de encenador de óperas:
Em 1985, encena, no Teatro Nacional de São Carlos, a ópera Ascensão e Queda da Cidade de Mahagonny de Kurt Weill e Bertolt Brecht, sendo coautor da versão portuguesa com Vera San Payo de Lemos e José Fanha.

Em 1990, encena a ópera A Voz Humana de Francis Poulenc, num espetáculo concebido por si em homenagem a Jean Cocteau com o título global de A Voz Humana: anos 30 anos 60.

Em 1992 e 2005, encena no Teatro Aberto, A Ópera de Três Vinténs de Bertolt Brecht e Kurt Weill.
Em 2002 encena a ópera Albert Herring de Benjamin Britten, com direção musical do maestro João Paulo Santos. No ano seguinte encena a ópera Notícias do Dia (Neues vom Tage) de Paul Hindemith, com direção musical do maestro João Paulo Santos.

Em 2004, encena a ópera de câmara Uma Questão de Confiança de Ernst Krenek.Em 2005,encena no Teatro Aberto A Ópera do Mendigo de John Gay e Benjamin Britten

Em 2006, encena, no Teatro Nacional de São Carlos, a ópera O Nariz de Dimitri Chostakovitch.

Em 2014, leva à cena, no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, a estreia mundial da ópera Três Mulheres com Máscara de Ferro de Augustina Bessa-Luís, com direção musical do maestro João Paulo Santos.

Em 1997,encena o thriller musical Sweeney Todd, O Terrivel Barbeiro de Fleet Street de Stephen Sondheim no Teatro Nacional D. Maria II. Foi uma coprodução entre o Novo Grupo, o Teatro Nacional D. Maria II e o Teatro Nacional de São Carlos. O musical volta a ser coproduzido pelo Novo Grupo e pelo Teatro Nacional D. Maria II em 2007.

Também se envolveu na realização e escrita para cinema e televisão:
Em 1989, escreve e realiza o filme Romeu e Julieta – Uma Peça em Construção, para a RTP.
Em 1990, escreve o roteiro da peça A Voz Humana para a RTP.
A nível televisivo, em 1999, foi o diretor de atores da minissérie A Hora da Liberdade, comemorativa da Revolução de 25 de Abril de 1974, para a estação de televisão SIC.

João Vladimiro

João Vladimiro (1981) integrou a companhia Circolando de 1999 a 2012. Foi criador e ator nos espetáculos: Caixa Insólita; Rabecas; Giroflé; Cavaterra, Charanga; Quarto Interior e Mansarda. Foi fotógrafo de cena e realizou os vídeos de cena para Casa-Abrigo e Areia.

Em 2009, colabora como criador/intérprete, com a coreógrafa Madalena Victorino nos espetáculos Vale e Flecha.
Em 2010 colabora, como bailarino, com a coreógrafa Karine Ponties no espetáculo Tuco. Estreou em Almada e a última representação foi em Bruxelas, 2011.

Em 2012, fez assistência de encenação para o espetáculo Salomé perdeu a Luz de Costanza Givone.
Em 2013, fez assistência de encenação para os espetáculos Santas de Roca de Costanza Givone e Alcovas Brancas de Ainhoa Vidal.

Em 2014, colabora, como intérprete e cocriador, no espetáculo Território de Joana Providência.

Também se envolveu na realização e escrita para cinema:
Foi convidado pela Fundação Calouste Gulbenkian, para desenvolver e escrever o documentário Jardim, sobre os Jardins da Fundação e o seu arquiteto Ribeiro Telles. O documentário está integrado na comemoração do 50º aniversário daquela instituição. Estreou no Doclisboa 2008 e foi exibido em vários Festivais internacionais como Fid Marseille e Mar de Plata (Argentina).

Em 2006, realizou a curta-metragem “Pé na Terra”.

Em 2008 leciona uma formação intensiva de 1 mês na área do documentário, na ilha de São Miguel, juntamente com Frederico Lobo, também fotógrafo de cena, e Tiago Hespanha.

Realizou e escreveu o filme Lacrau. Estreou em 2013, na décima edição do Festival IndieLisboa. Lacrau passa por festivais importantes como FID Marselha, Rio de Janeiro, Vienalle, Sevilha e outros.

O seu último filme, A Lã e a Neve, estreou em 2014, sobre a criação de um espetáculo de Madalena Victorino.

Em 2015 recebeu apoio do ICA para realizar a curta-metragem Do Berço prá Cova.

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